domingo, 31 de março de 2013

O futuro é hoje....

 


Disse o poeta: “ Eu vejo o futuro repetir o passado”. Verdade. E verdade seja dita, Cazuza não era o mais sábio dos poetas, mas foi sábio como poucos em sua poesia.
No caso o poeta é Cazuza, e quantos lembrarão de Cazuza daqui à dez anos? Cazuza é só mais uma repetição do passado, do tempo passado antes de Cazuza. Acredito que num futuro próximo muitos dirão que já não se faz músicas como antigamente. As músicas de hoje serão as músicas de antigamente.E falarão que NX Zero fazia poesia, que Calypso falava ao coração e que RBD era bom demais. A história é a mesma, só mudam as personagens.
Não admiro Cazuza, acho que não era dos melhores exemplos, mas ele falou como poucos o que todo mundo já sabe, mas vive esquecendo: O Tempo não pára. E o que o Tempo faz é isso, o fazer cair no esquecimento.
Se no futuro lerem esse texto , no Brasil, e precisarem que seja explicado quem foi Cazuza, eu digo: calma, é só o futuro repetindo o passado. E ainda mais: o futuro é hoje.


Frase do dia..

"‎(...) guardei o que quero e, deletei tanta coisa em que eu acreditei...."

sexta-feira, 29 de março de 2013

Faceook,ou não?


Em tempos, aquando do grande "boom" do facebook, na loucura de escritas e de algumas brincadeira que nem sempre caiam bem escrevi mais ou menos isto:

"o facebook é como a minha casa.desorganizada, complicada de gerir e muitas vezes numa confusão saudavel de risos e conversas que a nada chegam, mas que se vão verbalizando em contextos desencontrados.
Quem aqui vem que venha por bem,que se gosta fique e dê ar de graça, que esteja nos risos e nas discussões com dignidade,mas quem vier por mal, quem vier para não partilhar um pouco de si que vá e não volte.
Na minha casa entra quem eu quero, quem eu gosto e quem eu confio.Os outros não passam da porta e não os quero por aqui.
Na vida todos acabamos por "descarregar" no facebook,(será mais fácil?) as chatices que nos agridem,as palermices que não dizemos em voz alta, a cusquice que todos adoramos fazer e a brincadeira que em momentos de realidade trocamos uns com os outros."
Assim ficou mais ou menos para quem viesse...
Mas com o tempo fui dando-me conta,numa ignorância mais ou menos entendida,que os que estavam como gente normal,que aproveita para se desmembrar dos dias complicados que vai tendo e desabafa como quem escreve um diário sem pensar,mas sempre esperando uma pequena palavra de carinho ou um abraço virtual,estavam presentes,ali,sempre que eu precisava e me entrosava nas memórias e nos desabafos...mas e os outros?Voyers de pouca classe,esperando momentos para alfinetar a desgraça alheia e mesmo parodiar de momentos tristes partilhados por todos.Na falsa amizade real, porque não faz sentido amizades facebookianas que não existam na realidade,foram buscando nas opiniões,nas decisões que sempre partilhei,motivos para achincalhar,usar no realidade o que sempre sentiram: sentimentos repugnantes na minha vida,que não concebo para orientação de percurso no meu dia a dia...
Assim encerrei o facebook.por tempo indeterminado,porque por lá ficam muito mais os amigos e familiares que os outros.E dos amigos e familiares já sinto saudade de gargalhar,de brincar e de discutir,nesta aprendizagem diária que é a vida.
E o facebook tornou-se num grande abismo pessoal,que me deixa a pensar se já só vivia num mundo virtual e a realidade era uma mera visão...

Estou como a maioria, down....

Lobão, encontrava-se em seu habitual reduto.
Entre goles e prosas, divagava sobre a inexistência do amor.

- O que todos falam que é amor na verdade é paixão, caro amigo.
Uma reação química seguida por uma atração ou vice e versa.
O que leva uma pessoa à paixão é o mesmo que leva outra às drogas:
A adrenalina.
O amor, como tantos falam, não existe.

Ressentido como muitos, frustrado como poucos.
Lobão,  perdera a essência.
Tornara-se uma pessoa fria e cética.
Não permitindo nada mais que a verdade do seu próprio câncer:
A solidão.

- Compreendo que todos têm falhas de caráter, mas talvez não percebam.
A tendência é ignorar os próprios defeitos e enaltecer, em voz alta, suas principais qualidades. Tentando, ao menos, convencer a si mesmo que é uma pessoa melhor do que as outras.
Não usarei isso como desculpa para a fraqueza, mas prefiro demonstrar meus defeitos.
Talvez venha deste fato tudo o que sinto.
Derivando da minha inabilidade de contato, a solidão que assola e massacra ao mesmo tempo.
A verdade é que só o espírito livre conseguirá viver como a Lua, solitária e ainda reluzente.

Lobão e suas certezas e dúvidas ruma para casa, novamente, bêbado e só.
Esperando uma luz...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Como se esquece alguém que se ama?

Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver?





Quando alguém se vai embora de repente, como é que se faz para ficar?
Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer, os amores de acabar.
As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar.

Sim, mas como se faz?
Como se esquece?

Devagar! É preciso esquecer devagar.
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre.
É preciso aguentar.
Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar!

A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente.
É preciso paciência!
O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada.
Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração.
Ninguém aguenta estar triste.
Ninguém aguenta estar sozinho.
Tomam-se conselhos e comprimidos.
Procuram-se escapes e alternativas.
Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se.

Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo!

A Saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada.
É uma dor que é preciso, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa, esta “moinha”, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo.

Dizem-nos para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais mas, quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar.
Fica tudo à nossa espera.
Acumula-se-nos tudo na Alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte.
Os momentos de esquecimento conseguidos com grande custo com amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar.

Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Porque é que é sempre nos momentos em que estamos mais cansados ou mais felizes que sentimos mais a falta das pessoas de quem amamos?
O cansaço faz-nos precisar delas.
Quando estamos assim, mais ninguém consegue tomar conta de nós.
O cansaço é uma coisa que só o Amor compreende.
A felicidade faz-nos sentir pena e culpa de não a podermos participar.
É por estarmos de uma forma ou de outra sozinhos que a saudade é maior.
Mas, o mais difícil de aceitar, é que há lembranças e amores que necessitam do afastamento para poderem continuar.
Deixar de ver para ter vontade de ver.
Às vezes, a presença do objecto amado provoca a interrupção do Amor.
É por isso que nunca se deve voltar a um sítio onde se tenha sido feliz.
Regressar é fazer mal ao que se guardou.

Uma saudade cuida-se.
Nos casos mais tristes, separa-se da pessoa que a causou.
Continuar com ela, ou apenas vê-la pode desfazer e destruir a beleza do sentimento.

Mas como esquecer?
Como deixar acabar aquela dor?

É preciso paciência!
É preciso sofrer!
É preciso aguentar!

Há grandeza no sofrimento!
Sofrer é respeitar o tamanho que teve um Amor.

No meio do remoinho de erros que nos revolve as entranhas de raiva, do ressentimento, do rancor - temos de encontrar a raiz daquela paixão, a razão original daquele Amor.

As pessoas morrem, magoam-se, separam-se, abandonam-se, fazem os maiores disparates com a maior das facilidades.
Para esquecer uma pessoa não há vias rápidas, não há suplentes, não há calmantes, ilhas nas Caraíbas, livros de poesia - só há lembrança, dor e lentidão, com uns breves intervalos pelo meio para retomar o fôlego.
Ir a correr para debaixo das saias seja de quem for é uma reacção natural, mas não serve de nada e faz pouco de nós próprios.
A mágoa é um estado natural. Tem o seu tempo e o seu estilo. Tem até uma estranha beleza. E nós somos feitos para aguentar com ela.

Podemos arranjar as maneiras que quisermos de odiar quem amámos, de nos vingarmos delas, de nos pormos a milhas, de lhe pormos os cornos, mas tudo isso não tem mal.
Nem faz bem nenhum!
Tudo isso conta como lembrança, tudo isso conta como uma saudade contrariada, enraivecida, embaraçada.
O que é preciso é igualar a intensidade do Amor a quem se ama e a quem se perdeu.

Para esquecer, é preciso dar algo em troca!
Os grandes esquecimentos saem sempre caros.
É preciso dar tempo, dar dor, dar com a cabeça na parede, dar sangue, dar um pedacinho de carne.

Pode esquecer-se quem nos vem à lembrança, aqueles de quem nos lembramos de vez em quando, com dor ou alegria, tanto faz, com tempo e com paciência, aqueles que amámos com paciência, aqueles que amámos sinceramente, que partiram, que nos deixaram, vazios de mãos e cheios de saudades, esses doem-se e depois esquecem-se mais ou menos bem.

E quando alguém está sempre presente?
Quando é tarde!
Quando já não se aguenta mais!
Quando já é tarde para voltar atrás, percebe-se que há esquecimentos tão caros que nunca se podem pagar.

Como é que se pode esquecer o que só se consegue lembrar?
Aí, está o sofrimento maior de todos!
O luto verdadeiro!
Aí está a maior das felicidades!

[Sabes?!...
Agora quero sorrir!
Tenho gosto, tenho vida!
Sequei as lágrimas,
Encontrei-me no corpo ausente,
E num arco-íris,
Descobri manhãs,
Quando acordei e quis.
Afinal, estou magoada,
Porque fui infeliz,
Mas não há dúvida:
Ainda serei feliz!!!


É sempre Amor, mesmo que mude!
É sempre Amor, mesmo que acabe!
É sempre Amor, mesmo que alguém esqueça o que passou!...]

sábado, 23 de março de 2013

O amor é contagioso



Vamos produzir amor aos quatro cantos do mundo
Tentar amenizar as tristezas, os amores não correspondidos e principalmente retomar valores de familia
Vamos juntos
Luz e força sempre!

Beijo do lobo!!
 
 
 
Amigo é amigo.
FDP é FDP.
Cadê os primeiros mesmo?

Hoje....

Projeto para este ano: ser uma pessoa mais leve - porque EU quero.

Iron Maiden esta lançando marca de cerveja...

O Mundo Está Salvo! O Iron Maiden Resolveu Lançar Sua Própria Marca De Cerveja!



Esqueçam a crise econômica, doenças e o nível do futebol da Seleção Brasileira, amigos. O Iron Maiden está lançado sua própria marca de cerveja:



http://money.cnn.com/2013/03/15/news/companies/iron-maiden-beer/index.html
 
 
 

Sobre a Experiência

 

Comei, Bebei E Folgai, Pois O Que Mais Resta Não Vale Tanto...

 
 
 
 





Seja bem vindo

CEJA BEM VINDO....
 
 

É fasinho, gente. Tém dicionário na internet, a gente encontramos, bastando procurar, sites com informações sobre palavras, dúvidas sobre acentos, mais asim mesmo as pessoa ainda consegue escrever doidices sem nexos aqui no facebook.

Dá até pra entender, mas a gente fica preocupado com quem faz essa produção textual aqui na rede. Eu imagino o chefe de uma criatura dessas, lendo uma pessoa que não sabe a diferença entre várias pessoas e um investigador policial.

Abraços e bom dia.

PS: As falhas na grafia, no primeiro parágrafo, são 100% intencionais.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Cds e discos antigos...

Ouço de longe o vinil velho. O que toca nele é Raul e eu lembro de minha mãe. Ah, mãe. Saudades da época em que eu era legal não é, mãe? Pequeno, indefeso. É, eu também sinto saudades, sabia? A gente não se cabia de tanta alegria quando você nos levava ao Mc Donalds e eu sonhava em passar a vida naquele lugar. Quantas foram as vezes que eu sonhei que você não repassaria a tabuada do 8 comigo quando chegasse do trabalho. Se hoje me cobro tanto é pra não perder o costume. E você gastou tantas horas da sua vida com nós e me parece que esqueceu de viver, esqueceu-se de si. Perdeu seus sonhos, desejos, vontades, Saudades mãe
Agora entendo que você nos exigia o mínimo e não a perfeição. Porque se contentar com o 5 se eu podia ter um 9? "Não se compare com a média. Ela é pouca e traiçoeira." Seu mantra em minha memória permanente. Que bom. Consigo enxergar que você sabia exatamente o que íamos passar e quis nos deixar prontos para tudo. Missão cumprida mãe, descanse em paz.

Pode parecer que as coisas andam meio cinzas lá fora mas é só neblina dificultando um pouco mais esses raios de sol. Há dias assim e eu sei que você balança neles. A vida não é só de entrega e 8 horas debaixo da coberta. Eu ainda acho que você se doou demais pelos outros . Você foi ótima professora, mãe. Da vida.

Não ando falando muito e o mundo me ensina a dizer cada vez menos, mas sinto sua falta no dia a dia. Você que sempre esteve com sua meia de lã azul , um estranho gosto por filmes de desenho e me dizendo que ainda considerava nossa casa, um albergue. Eu te perdoo. E te amo.

ps: passado tantos anos você já pode dizer que eu fui o melhor guardador de louças que você já viu.

terça-feira, 19 de março de 2013

As crianças, as mulheres e o elevador

 
Estes dias, fui à casa de um amigo que mora em um apartamento e quando entrei no elevador, observei duas mulheres com filhos da mesma idade, de aproximadamente cinco anos. Eram dois meninos: o primeiro estava segurando um carrinho de plástico, sem rodinhas, e as portinhas estavam soltas, e toda hora caia no piso. Ele dirigia este pequeno automóvel pelas paredes do elevador, e na sua boca saia o barulho de um motor potente; o outro tinha um carrinho de controle remoto, e apenas segurava-o com as mãos.
De repente surgiu um diálogo. "Olha que carrinho legal, me deixa ver?", perguntou o guri que tinha o carrinho de plástico.  foi meu pai que me deu", respondeu o outro. Um diálogo incrível surgiu entre as crianças, como se elas se conhecessem há muito tempo. O mais triste desta história, é que as duas mulheres, que pareciam ser a mãe dos garotos nem se olharam, eram como se fossem invisíveis. Observava a tudo e sorria para os moleques.

 
Fiquei pensando em como definir uma explicação para que duas crianças tão diferentes que não se conhecem, mas tornam-se amigas de uma forma tão natural e pura, não importando a classe social.

Lembrei-me de Jesus, quando disse: "Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior reino dos céus" (Mateus 18/4). Por outro lado, o mundo adulto é cheio de justificativas, tentando explicar o inexplicável e são capazes de virar a cara e ignorar outra pessoa, como aconteceu com as duas mulheres.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Vida sexual


Mae....

 


escrito originalmente em 20/12/2012

Ei mãe, essa noite eu dormi com amigos no terraço, essa semana fiz sexo com quem não tinha intimidade,esse mês eu me apaixonei por um microfone akg.
Olha mãe, obrigado por nunca ter me dado uma guitarra eletrica. E por ter me ajudado a achar meu caminho. Ei mãe, agora eu sinto uma saudade terrivel, uma vontade enorme de chorar.
Hey mãe, nunca ninguém me contou antes que era dificil assim crescer e aprender. Me escuta mãe, to com saudade do seu colo, da sua comida, do seu amor. To com saudade da vida em familia. Do cafuné, saudade de ser criança mesmo aos 40 anos...

sábado, 16 de março de 2013

Diversidade na unidade...

Diversidade na unidade


Compromisso de todos

As vezes pensamos ser estranho pessoas comerem carne de cachorro, besouro assado, ou pintarem o corpo para louvar o Criador, ou ainda dançarem festivamente para comemorar a boa colheita, o nascimento de um filho ou a chegada de um ente querido... Toda essa diversidade comprova o fato de que vivemos num mundo de culturas e tradições variadas.
Vale a pena conhecer, valorizar e respeitar essa diversidade que há em nossa unidade!

No início da vida de nossos filhos, acho que as nossas identidades se fundem de alguma forma e, como pais, participamos de tudo que cerca a vida deles.


Mas, um dia, a gente acorda e eles cresceram... de um dia para o outro, eles já sabem conversar, tomar banho sozinhos, fazer o check in no aeroporto, dizer "eu te amo", ler, decidir, cantar... De repente, eles passam a ser os donos de suas vidas. E a tal identidade, antes fundida, se torna individual.

O fato é que está cada vez mais difícil falar das minhas filhas sem pensar que estou invadindo  a privacidade das duas.

Por isso, este é um post de até logo. Talvez eu volte a falar delas, talvez não. No momento, meu coração diz que é hora de parar...

Espero que a minhas filhas fiquem felizes com esse registro.

Foi feito com amor, assim como elas!
 
 
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Chorão: Overdose de Realidade


Só o laudo da necrópsia irá confirmar se o Chorão morreu ou não de overdose, mas a possibilidade já repercutiu na maior rede social do mundo, onde li um comentário imbecil que dizia, simplificando, que "o Chorão morreu de overdose, bem-feito, quem mandou usar drogas!". Vou refletir sobre a imbecilidade deste comentário, admitindo a possibilidade não-confirmada de que o cantor e compositor -- excelente, aliás, no atual cenário da música brasileira onde "tchu-tchá" e "lek lek lek" fazem sucesso -- tenha de fato falecido pelo abuso de drogas.
O principal norte da nossa sociedade hoje é o "ter para ser". O indivíduo não é definido por suas características pessoais, tais quais honestidade, integridade, bondade, mas sim pelos bens que ele tem e pela posição social relacionada ao emprego que ele ocupa. Eu mesmo sou conhecido em muitos círculos como "Filipe do Banco do Brasil", e só meus amigos mais íntimos me consideram uma pessoa e não um empregado concursado de uma empresa federal -- em detrimento de qualquer outra coisa que eu faça.
Para ser bem-sucedido e feliz, aos olhos alheios, preciso galgar altos cargos e ganhar mais, ganhar bem (o que, convenhamos, é difícil para um bancário). No próprio meio do trabalho, o fato de eu ter alcançado a gerência faz com que eu seja muitas vezes colocado em um pedestal. Mal sabem eles que, quanto mais eu ganhei, mais vazio eu senti.
Ora, se eu assalariado fui acometido por um vazio proporcional ao aumento do salário, que dirá alguém que já conseguiu o ápice do "ter". O que sobra para esse ser que já alcançou o ápice daquilo que a sociedade considera como premissa para ser feliz? Não sobra nada. Literalmente, nada. O grande problema disso é que acabam as opções para ser feliz e o indivíduo percebe -- ora, não estou feliz, e agora não há meios de alcançar essa felicidade. A sociedade cultiva e engendra esse vazio em nós: quanto mais sentimos um vazio, mais tentamos preenchê-lo consumindo, trabalhando, nos envolvendo em relacionamentos doentios e criando famílias disfuncionais. Talvez a hipérbole de tudo isso seja o uso de drogas -- sim, porque a depressão muitas vezes é anterior a esse processo, e digo isso com conhecimento de causa.
Depressão mata. Eu já quase morri duas vezes por isso. Quem percebe-se infeliz e entra na dita "visão de túnel", desacreditando em qualquer alternativa para resolver os seus problemas, preocupa-se com a morte? Eu não me preocupava. Mas há também outra alternativa que não a morte que trás prazer imediato, uma espécie de efeito maximizado do chocolate e da nicotina: as drogas. No começo parece uma forma rápida de ter prazer: depois do abuso e consequente dependência, entramos em uma espécie de hipnose que acaba com outras possibilidades de felicidade -- a única possível era, no  a engarrafada ou a em saquinho de R$10. Não é, aliás, uma forma homeopática de suicídio? Bem, depois de não ter sucesso nas vias de fato,  Morte lenta ou rápida, você escolhe.
A dependência química e a depressão não são o cerne da doença, são um sintoma de uma doença em muitos aspectos social. Nem todos que são submetidos à loucura do mercado e das relações superficiais e disfuncionais atenuam seus problemas com uma Neusa para dor de cabeça e um Omeprazol para o estômago. Deveriamos nos questionar, aliás, porque é que a maioria dos medicamentos são vendidos sem receita médica -- prescritos pela propaganda e, sobretudo, porque é que as farmácias sempre tem fila e as bibliotecas estão sempre vazias. Para os casos mais extremos os psiquiatras receitam a torto e a direito o segundo medicamento mais vendido do mundo: clonazepam em suas mais diversas dosagens. A ansiedade virou tão somente um motivo de consumo.
O Chorão é uma vítima desse cenário que mata muitos diariamente, mas como é famoso, recebeu destaque. Fui amigo de um jornalista genial que morreu há pouco mais de três anos por misturar ansiolíticos, álcool e cocaína. As diversas notas da imprensa que saíram a respeito falaram de suas realizações durante a vida e calaram-se quanto ao que levou ao fim da sua vida -- ao que um jornalista independente tirou-me lágrima dos olhos falando sobre seu trágico fim, a troca de sua genialidade pela droga e sobretudo como ninguém deu a mão a ele quando isso aconteceu. Segregação: essa é a forma mais fácil de deixar de combater a doença, o mesmo que fazem com a criminalidade. O Estado, aliás, na contramão do movimento anti-manicomial, acaba de incentivar essa estratégia e aprovar a internação compulsória de dependentes químicos. Narcóticos Anônimos diz desde a década de 60 que o único requisito para ser membro é o desejo sincero de parar de usar. Ao ignorar esse desejo ao invés de despertá-lo, qualquer tratamento é inútil.
Enquanto não percebermos que felicidade não é ter, é ser, nossa busca por isso continuará incessante. Como nunca iremos alcançá-la sempre correremos o risco de tentar atenuar nosso vazio com qualquer atenuante -- não necessariamente as drogas, mas quem sabe ansiolíticos (que podem provocar uma dependência maior do que a da cocaína), anti-depressivos, consumismo desenfreado, relacionamentos doentes e famílias disfuncionais ou até mesmo com a morte. Se Chorão tivesse ficado só no skate talvez não teria sido acometido pela depressão e teria prazer na vida em suas pequenas realizações. Ganhar dinheiro, comprar muitos imóveis ou carros de luxo -- ou cheirar cocaína, nada disso trás felicidade. Acredito que o que pode nos fazer felizes são as pequenas coisas, todas aquelas que fizermos com prazer e que nos abra um sorriso sincero. Mas essas coisas são as que menos percebemos.

Meus desenhos...

 














Olá, Amigos!!

Esses são meus "poemas desenhados" que tenho feito nas minhas horas vagas. Faço sob encomenda. Se alguém se interessar faça contato
Um grande abraço a todos vocês.

terça-feira, 12 de março de 2013

Negativo, Positivo...


Hoje acordei negativo. Levantei-me com o pé esquerdo, chato que sou, e decidi sobre as várias coisas que NÃO aconteceriam em meu dia. Porque nem todas as negativas devem ser ruins. O não expressa a falta de vontade, a falta de desejo, a falta de permissão. O não preconceito, a não violência, a não ignorância. O não à corrupção, o não à impunidade, o não às mentiras. O não, assim como o sim, possui significado essencial para compor o nosso dia. Hoje eu acordei negativo e decidi que não haverá mau-humor, não haverá ilusão e não haverá cansaço! Não! Não haverá mentira e não haverá omissão! Por que? Porque eu decidi que NÃO!